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Com queda no preço das peças originais, mercado acredita que a tendência é de crescimento

 

Notícia | 11 de Maio de 2013
A dependência de importação das peças ainda é um entrave a este possível crescimento. Sobretudo se considerarmos algumas alterações na legislação sobre tributos em produtos importados, realizadas no início de 2013, e a própria burocracia brasileira que rege as importações. Priscilla Cardoso Como todos os segmentos de mercado, o de peças de reposição para empilhadeiras é vulnerável às interferências do cenário econômico. A estabilidade cambial e o baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foram alguns dos fatores que afetaram os resultados do setor no último ano. Por outro lado, a disponibilidade de peças é crucial para a manutenção de qualquer produto. E algumas alterações na legislação sobre tributos em produtos importados, realizadas no início de 2013, prejudicaram o andamento normal das vendas no setor de peças para empilhadeiras, já que o mercado nacional importa boa parte delas. Para o setor, a burocracia relacionada à importação é o grande desafio. “Essas alterações repentinas de alíquotas dos impostos ou ajustes na taxa de câmbio, com a finalidade de interferir nos resultados da balança comercial, nos obrigam a estar sempre atentos em buscar medidas locais para que o negócio de peças de reposição não seja prejudicado”, afirma Alexsander Luis Furlan, supervisor de peças de reposição da Clark Empilhadeiras (Fone: 19 3856.9090). “O mercado suporta um grande obstáculo, que é a complexa e pesada carga tributária que onera a cadeia de fornecimento e o custo ao cliente final. Seria um passo importante para o Brasil continuar o processo de crescimento, buscar formas mais brandas e viáveis na estrutura tributária”, complementa Werner Kolber, diretor de Aftermarket e Desenvolvimento de Distribuidores da Nacco (Fone: 11 5683.8587). Já para Adriano Kawano e Marcelo Pinotti, gerentes de serviços e de suporte da Crown Equipamentos (Fone: 11 4585.4040), além da burocracia do sistema, o prazo é outro fator que traz grandes dificuldades para o mercado. “As peças importantes como motor, transmissão, equipamentos de controle e painéis são ainda importadas, já que os grandes fabricantes de empilhadeiras têm apenas montadoras no país. Então, quando se fala em peça importada, já se tem noção do quanto se terá de esperar, devido às dificuldades de prazos, burocracia e custos motivados pela alta carga tributária”, explicam eles. ASPECTOS POSITIVOS EM 2012 Apesar das dificuldades, para boa parte dos executivos do setor, o mercado de peças tem crescido no Brasil. Dentro da Nova Fase Empilhadeiras (Fone: 41 3344.4988), o faturamento em peças aumentou 30% em 2012, se comparado ao mesmo período do ano anterior. “Também fechamos o ano com o melhor faturamento desses 11 anos da Nova Fase”, afirma o gerente de filial da empresa, Gustavo Yamada Ito. “Peças sempre foi um segmento que nos deu muitos lucros e contínua até hoje. Quem possui um setor de peças estruturado consegue ter um diferencial no pós-vendas de seus produtos. Nem todos gostam de trabalhar com este setor, pois é preciso ter capital para investir em estoque, armazenagem, espaço físico, etc.”, diz Bruno Leonardo Rocha Fernandes, diretor comercial da Piazza Equipamentos e Empilhadeiras (Fone: 11 2954.8544). Para o gerente comercial da Inova Empilhadeiras (Fone: 19 3849.4384), Fabbio Kenji, o baixo crescimento no mercado de vendas de equipamentos novos e a necessidade de um pronto atendimento na prestação de serviços são alguns dos fatores relacionados ao crescimento do setor de peças. “Esse baixo crescimento, consequentemente, determina que o cliente final tenha maior atenção com sua frota e adote um cronograma de manutenção que inclua a substituição de peças. Outro fator é a necessidade de um pronto atendimento na prestação de serviços e peças em estoque, minimizando ao cliente seu custo operacional com equipamentos parados”, afirma ele. “Também é importante resaltar que o crescimento deste mercado foi resultado da instalação de grandes empresas importadoras de peças, proporcionando custos mais competitivos e melhores prazos de entrega”, completa Kenji. As inovações tecnológicas também são vistas como um dos aspectos positivos do setor. Os novos projetos ajudaram a aumentar a segurança e a produtividade, e ainda reduziram o número de falhas apresentadas pelas máquinas. “Não é novidade para ninguém que a tecnologia avança a uma velocidade gigantesca em todos os segmentos. E logicamente, no mercado de empilhadeiras, não é diferente. Novos projetos, alterações de componentes e novas máquinas surgem diariamente, visando maior segurança e produtividade da operação”, diz Furlan, da Clark. “O aumento de tecnologia influenciou na redução do número de falhas apresentadas pelas máquinas e, consequentemente, na redução do consumo de peças sobressalentes. A venda continua a crescer por conta da expansão do parque de máquinas no Brasil, com a necessidade de produtividade e eficiência”, também comenta o diretor da Vinnig Componentes Eletrônicos (Fone: 21 3979.0283), Ruy Piazza Filho. Outra tendência é o uso maior das peças originais, em detrimento das existentes no mercado paralelo. “Notamos um aumento expressivo de compra por parte de empresas prestadoras de serviços, não de representantes. Com isso, entendemos que está aumentando a percepção da necessidade de utilização de peças originais por parte destas empresas. Não é comum o cliente comprar peças e ele mesmo tentar instalar”, explica Jean Robson Baptista, do departamento comercial da Empicamp Empilhadeiras (Fone: 19 3246.3113). E outro fator que tem ajudado a aumentar o uso das peças genuínas é a redução dos preços. Empresas como a Toyota Empilhadeiras (Fone: 11 3511.0400) tem trabalhado em negociações para melhorar os preços dessas peças. “Temos feito um trabalho incansável de mostrar aos clientes e ao mercado as vantagens de se utilizar as peças genuínas e mostrar a qualidade a um preço justo. A Toyota, a cada seis meses, tem negociado com o Japão para reduzir os preços das peças e, consequentemente, vendermos mais barato aos nossos clientes.
às 16.11.52Cada vez mais as vendas de peças na Toyota têm aumentado, não só devido à venda de equipamentos novos, mas, também, para clientes que compraram há anos e voltaram. E devemos isso à conscientização sobre a importância da utilização das peças genuínas”, afirma Eduardo Matsubara, gerente de pós-vendas da Toyota Empilhadeiras. “É visível e muito evidente que o desempenho de peças originais é, em sua grande maioria, superior ao das peças do mercado paralelo, o que aumenta a confiabilidade dos equipamentos. Estas constatações, somadas ao aumento do custo da mão de obra (mecânico) e à redução da necessidade de intervenções técnicas, faz com que o cliente perceba um ganho financeiro”, explica Guilherme Pereira Osório, diretor da Movicarga (Fone: 11 5014.2477). TENDÊNCIAS  Com seus preços em queda, as peças originais devem obter um aumento de consumo no país. Para os executivos do setor, a tendência é de que as aplicações de itens genuínos sejam cada vez maiores e que o mercado acompanhe o crescimento do país. “A tendência deve continuar com a oferta de mais distribuidores, porém só vão continuar no mercado as empresas sérias e comprometidas com a qualidade e o atendimento eficiente ao seu cliente”, comenta Carlos Fernandes, diretor comercial da Coparts Empilhadeiras (Fone: 11 2633.4000). “O mercado deve acompanhar o crescimento do país, onde a cada sinal de desenvolvimento haverá uma elevação nos níveis de negociação relacionados ao mercado. A excelência da qualidade e a competitividade de preços dos itens originais, aliados a uma boa cobertura de mercado e a bons níveis de atendimento, definem a disponibilidade do cliente em aplicar itens genuínos em seus equipamentos, preservando-os e tornando-os bases sólidas e seguras para a obtenção de um maior nível de receita e lucratividade”, também analisa Airton Luís Rodrigues, gerente de departamento de peças da Makena Máquinas, Equipamentos e Lubrificantes (Fone: 51 3373.1122). Dentro da Retrak (Fone: 11 2431.6464), a expectativa é de que a evolução da tecnologia embarcada nos equipamentos exija componentes cada vez mais sofisticados e específicos. Segundo o diretor executivo da empresa, Fábio Pedrão, estes componentes tornam os equipamentos mais modernos, rápidos e seguros, o que é uma necessidade no setor de movimentação de materiais. “Esta tecnologia permite menos manutenções ao longo da vida útil do equipamento, mas demandam mais conhecimento técnico para o eventual reparo. Cada vez mais equipamentos eletrônicos de diagnósticos são necessários. Soma-se a isto o fato de ser necessário um software para programação e parametrização do equipamento de acordo com a característica do cliente e/ou do operador”, explica Pedrão.
“O segmento de peças vai seguir o mercado de vendas de empilhadeiras, e a tendência, com certeza, é de que aumente gradativamente”, diz Marcelo de França Yoem, assistente comercial da Zuba Comércio de Máquinas e Equipamentos (Fone: 11 4719.9099).Já para o diretor da Paletrans (Fone: 16 3951.9339), José Tonon, a principal tendência é a melhora na capacitação das equipes, sejam elas próprias ou terceirizadas. “A boa gestão é fundamental para otimizar o uso dos recursos que são sempre escassos. Outro fator relevante é adquirir equipamentos com estrutura de peças de reposição originais com preços competitivos no Brasil, com rápido prazo de entrega em qualquer ponto de uso, minimizando equipamentos parados e fugindo dos improvisos que deterioram a frota”, conclui ele.
Fonte: Revista Logweb 11 de maio de 2013.